Alergia e Intolerância: parecidas, mas nem tanto

Mestre e Doutor pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp), Dr. Flavio Sano explica a diferença.

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Há uma confusão comum entre alergia a alimentos e intolerância alimentar, explicada pela manifestação das duas condições, que se apresentam por meio de sintomas respiratórios, cutâneos ou digestivos. O mecanismo dos dois problemas, porém, é muito diferente.

A alergia é uma resposta exacerbada do sistema imune, de fundo genético, em reação ao contato com certas proteínas. Isso faz o corpo produzir como resposta quantidades muito grandes de IgE (imunoglobulina E). Já a intolerância é uma reação química local a certas substâncias, que pode ser desenvolvida ao longo da vida pela perda parcial de enzimas que se relacionam a digestão dessas substâncias.

alergia

O leite é um bom exemplo. É corriqueiro ouvirmos as pessoas dizerem que são alérgicas à lactose, mas isso é impossível. A lactose é um açúcar do leite. Portanto, não pode causar alergia – diferentemente de outras substâncias também encontradas no leite. O que ocorre em relação à lactose é a intolerância. O paciente não tem a quantidade suficiente de uma enzima digestiva específica no organismo. Consequentemente, não consegue digerir a substância, o que provoca, nesse caso, problemas gastrointestinais.

No passado, só era possível identificar se o paciente era alérgico a uma substância, como, por exemplo, o camarão ou pelos de animais, mas, hoje, com a evolução dos métodos e das tecnologias, somos capazes de descobrir a molécula exata com a qual o corpo do paciente não se relaciona bem. Atualmente, não dizemos mais que o paciente é alérgico ao ovo, por exemplo. Temos condições de apontar se o problema é a clara ou a gema e qual o componente exato delas. Com isso, geramos um tratamento e uma prevenção mais eficientes.

Identificar a parte específica de um alérgeno se tornou possível com o diagnóstico molecular, que é um exame de sangue que destrincha a sua reação com inúmeras proteínas e aponta aquelas que potencialmente gerariam um quadro alérgico. Esse simples teste de sangue, a dosagem de IgE específica, pode ser realizado até mesmo em bebês.

Um diagnóstico tão específico é bastante útil ao paciente. Uma mesma proteína pode estar presente em mais de uma substância e, ao descobrir o reagente exato que causa alergia, é possível evitá-lo em todas as suas apresentações.

 

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