Automedicação estimula a hiperdosagem

Além dos perigos já constatados, a prática comum entre 76,4% dos brasileiros pode levar à intoxicação.

Corte01

A automedicação, além de extremamente perigosa, estimula a hiperdosagem. É o que concluiu uma pesquisa do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), publicada neste mês.

Segundo o estudo, dos 76,4% dos brasileiros que se automedicam, 32% tendem a exagerar a dose em busca de resultados mais rápidos, o que pode desencadear uma série de problemas que vão do desenvolvimento de resistência aos remédios até casos graves de intoxicação medicamentosa.

Em 2011, foram registrados pelo Sistema Nacional de Informações Toxico Farmacológicas (Sintox) mais de 29 mil casos de intoxicação por medicamentos. Segundo os dados, o uso indiscriminado de remédios é o fator que mais leva a internação por intoxicação, passando na frente até dos agrotóxicos que ocasionaram pouco mais de 4 mil casos.

De acordo com nosso médico, Dr. Rafael Munerato, a automedicação apresenta três problemas principais. O primeiro deles é que, ao comprarmos um remédio na farmácia, muitas vezes nos deixamos levar pelo nome comercial da medicação e acabamos ingerindo, por tabela, substâncias que podem nos fazer mal.

Um segundo aspecto problemático é a interação medicamentosa. Para pessoas que já estão fazendo algum tipo de tratamento, a automedicação é especialmente perigosa na medida em que os remédios podem interagir entre si e gerar reações extremamente prejudiciais à saúde.

Por fim, o médico alerta para o fato de que, sempre que nos automedicamos, estamos interpretando nossos sintomas sozinhos a partir das nossas próprias experiências, o que é algo extremamente limitado e perigoso. Apenas um profissional é capaz de analisar tudo o que sentimos, realizar um diagnóstico preciso e indicar o melhor tratamento para o caso.

Consultar um médico antes de tomar qualquer medicação é, portanto, essencial. Mesmo quando o problema for só aquela dorzinha de cabeça chata ou uma gripe insistente, remédios são substâncias fortes que devem ser tomadas com cautela e acompanhamento profissional.

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