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Coração de mulher

Dr. Otavio C. E. Gebara fala sobre saúde feminina e seus cuidados

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A mulher sabe cuidar. Trabalho, família e o lar. Tripla jornada. Cuida da sua cabeça e gosta de se informar. Mas nem sempre ela tem as mesmas preocupações com a sua própria saúde, como prova um dado preocupante: as brasileiras acima de 40 anos tem como primeira causa de morte as doenças cardiovasculares. O infarto do miocárdio e o AVC (Acidente Vascular Cerebral) são as causas principais de morte dentro dessa faixa etária.
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Vaidade e saúde*

Qual a ligação entre calvície e câncer de próstata?

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A partir dos 35 anos, todos os homens estarão condenados a enfrentar o crescimento da próstata. Evento regular, certo e inescapável do avançar da idade, ele pode, muitas vezes, se fazer acompanhar pelas entradas acentua- das na testa, que prenunciam a calvície. Juntamente com os cabelos grisalhos, marcam as transformações da idade. O que muitos homens não sabem é que existe um paralelo genético entre crescimento da próstata, hormônios masculinos e padrões de calvície.

Há quase 100 anos se reconhece que existe relação entre crescimento da próstata e testosterona. O efeito proliferativo e a manutenção da vitalidade celular promovida pelo hormônio em questão se dá quando ele deixa o sangue e passa pela membrana celular, sendo convertido pela enzima 5-re- dutase na muito mais potente di-hidrotestosterona (DHT). Já no núcleo celular, a DHT e seu receptor ligam-se ao DNA, acelerando a produção de proteínas e reprodução de células, causando o efeito de hipertrofia e retardando a morte celular, o que melhora a vitalidade e evita a morte programada.


Os homens que apresentam “entradas” proeminentes na testa e nas têmporas são os pacientes que sofreram maior exposição intraútero à testosterona, enquanto aqueles com muito cabelo na fronte apresentam deficiência da enzima 5-redutase e raramente têm crescimento prostático.

Ao se descobrir que a inibição da enzima não só diminuía o volume da próstata, mas também estimulava o crescimento de novos folículos pilosos enquanto recuperava os já atrofiados no couro cabeludo, rapidamente se adotou o Finasteride para se tratar a calvície.

Entretanto, poucos reconhecem as limitações e perigos da utilização desse remédio sem acompanhamento médico. Podem ocorrer efeitos indesejáveis, e muitas vezes não reconhecidos, como diminuição da fertilidade, diminuição da libido sexual (mas não da qualidade da ereção), diminuição do volume ejaculado, fraqueza muscular, perda de massa muscular magra, osteoporose e outros.

Assim, utilizar Finasteride (medicamento usado para combater a calvície) sem acompanhamento médico especializado e afeito com os efeitos adversos associados significa tratar a vaidade ao custo de mascarar a detecção precoce do câncer de próstata.

Em nossos dias, a melhora nos índices de cura e sobrevida dos pacientes com câncer de próstata se dá, sobretudo, pela conscientização populacional para o tema, levando mais homens ao exame prostático de maneira regular e à utilização estratégica do PSA, que é um sinalizador importante para doenças da próstata, facilmente obtido com exame simples de sangue.

* Por Dr. Paulo Rodrigues – Doutor em Urologia pela Faculdade de Medicina da USP
e Membro da Sociedade Internacional de Incontinência

(Texto publicado originalmente na Revista Delboni Auriemo. Você pode fazer o download para iPad neste link (http://bit.ly/XIXQER) ou retirar sua versão impressa em qualquer Unidade de Atendimento do Delboni (http://bit.ly/XIXNc2).)