Coração de mulher

Dr. Otavio C. E. Gebara fala sobre saúde feminina e seus cuidados

delboni-palavramedica-corte

A mulher sabe cuidar. Trabalho, família e o lar. Tripla jornada. Cuida da sua cabeça e gosta de se informar. Mas nem sempre ela tem as mesmas preocupações com a sua própria saúde, como prova um dado preocupante: as brasileiras acima de 40 anos tem como primeira causa de morte as doenças cardiovasculares. O infarto do miocárdio e o AVC (Acidente Vascular Cerebral) são as causas principais de morte dentro dessa faixa etária.

Nas mulheres, o infarto ou AVC geralmente acontecem um pouco mais tarde que nos homens (eles, na faixa dos 40-50; elas, acima dos 55-65 anos). Uma das razões é a mudança provocada pela menopausa, que retira gradativamente o estrogênio de circulação – hormônio que é um protetor natural do coração. Sua queda vem associada a um estilo de vida que propicia maiores riscos à mulher.

Pesquisas comprovam que as mulheres são menos atentas que os homens aos sinais clássicos de um infarto, que elas provavelmente conhecem, mas não reconhecem no próprio corpo o perigo iminente. Elas demoram, em média, 40 minutos a mais para chegar em um hospital quando estão sofrendo um infarto ou AVC, justamente porque não dão tanta importância aos sintomas. Parece pouco, mas no caso de uma parada cardíaca, cada minuto pode significar a diferença entre a vida e morte.

Culturalmente, as mulheres foram educadas para dar atenção ao câncer. Reverter essas estatísticas é uma tarefa que cabe às próprias mulheres. Uma pesquisa divulgada em 2004, comprovou que mais de 80% do risco de sofrer um infarto do miocárdio é evitável, sobrando menos de 20% para os fatores hereditários. Entre os principais fatores de risco estão hipertensão, diabetes, colesterol alto, sedentarismo, obesidade e tabagismo. O tabagismo é o principal fator de risco para doença coronária da mulher: ele aumenta em até seis vezes as chances de um infarto ou AVC. Ajuda para largar o cigarro não falta: existem vários medicamentos, além de terapia ou acupuntura.

Atuar sobre os outros cinco itens da lista é ainda mais fácil: somente a prática de atividade física e uma alimentação rica em nutrientes contribuem para eliminar a gordura, baixar o colesterol, a pressão e a glicose no sangue.

Dessa forma, deve ser feita a visita ao ginecologista anualmente para evitar as consequências de um câncer, mas também toda mulher deve ter como hábito fazer um controle da pressão arterial (mesmo que tenha um histórico de pressão baixa), dos índices glicêmicos e de colesterol através de um exame de sangue. Quem sempre se preocupa tanto com os outros merece o melhor dos cuidados.

Dr. Otavio C. E. Gebara é professor livre docente em Cardiologia pela Faculdade de Medicina da USP e autor do livro Coração de Mulher

(Texto publicado originalmente na Revista Delboni Auriemo. Você pode fazer o download para iPad neste link (http://bit.ly/XIXQER) ou retirar sua versão impressa em qualquer Unidade de Atendimento do Delboni (http://bit.ly/XIXNc2).)