Harmonize-se

Se antes a imagem de uma pessoa conectada 24 horas era relacionada apenas a algumas profissões − como um operador da bolsa ou um médico −, no século 21 não importa a carreira: você provavelmente é alcançado a qualquer hora do dia (e da noite) por questões profissionais, ou não, e precisa aprender a lidar com isso de forma positiva

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Smartphones, tablets, notebooks e outros gadgets comuns entre os profissionais da Geração Y são úteis para resolver situações fora do escritório, mas podem transformar as pessoas em escravas permanentes do trabalho. Nesse cenário, em que a tecnologia tornou tênue a barreira entre vida pessoal e profissional, como encontrar o equilíbrio?

Segundo a presidente do Poynter Instituto de Liderança e Gestão, a jornalista norte-americana Jill Geisler, não existe uma medida padrão do tempo que se deve reservar ao trabalho e ao lazer. “Cada pessoa é única; nossos ofícios, culturas, chefes, família, responsabilidades sociais, preferências pessoais e necessidades são diferentes”, explica.

O designer Gabriel Dietrich, um workaholic que também é viciado em momentos agradáveis e relaxantes, criou algumas regras para a carreira “não engolir o resto da sua vida”. Diretor do Dietrich.tv, trabalha até 11 horas por dia em seu estúdio na Vila Madalena ou em filmagens externas, mas, em compensação, não considera fins de se- mana como dias úteis, ao contrário do que está acostumado o mercado publicitário. “Existe um limite de estresse saudável, mas ultrapassá-lo é prejudicial, especialmente para o trabalho criativo”, diz. Com as restrições que estabeleceu nos últimos dois anos, a eficiência da sua equipe dobrou. “A qualidade aumentou, o estresse diminuiu e hoje conseguimos cobrar direito por um trabalho mais bem resolvido.”

Além de buscar o equilíbrio no gerenciamento dos funcionários, o designer também segue regras próprias. O tempo que dispõe para curtir os amigos é gasto pessoalmente, no bar ou na casa de alguém, sem intermédio de meios eletrônicos. “Se estou no trabalho, aciono meu botão ‘eficiência’; acho um desperdício ficar procrastinando na frente do computador”, diz.

Para garantir a produtividade ao longo de cada jornada, Gabriel faz exercícios todos os dias pela manhã, estabelece horários para checar os e-mails e só dorme com o telefone no modo “não perturbe”. “Não adianta ligar e mandar mensagem de madrugada: só quando eu acordar”, avisa.

Fechado para balanço
Para a psicóloga, psicanalista e consultora em desenvolvi- mento humano Sylvia Floriani, o trabalho em excesso por si só não necessariamente traz consequências negativas. “O desequilíbrio irá depender de quão salutar e prazerosa, ou não, a atividade é percebida por aquele que a executa”, diz. Se o trabalho for fonte de realização e estiver alinhado aos propósitos do profissional, o prejuízo pode se limitar ao cansaço, comum em momentos de criação e novos projetos.

O problema é quando vira fadiga permanente, insônia, alteração de apetite, taquicardia, desconcentração, doenças psicossomáticas, falta de prazer, sentimento de não realização e pensamentos negativos associados ao trabalho. “Quando se tem energia demais em um aspecto, é porque está faltando em outros”, lembra Sylvia. Sua experiência em consultório revela que cônjuge reclamando, filhos distantes, saúde inconstante e vida social à míngua são sinais claros que o profissional não está conseguindo equilibrar o seu tempo.

Existe um termo em inglês para definir o quadro de desajuste generalizado provocado pelo trabalho em excesso. “A síndrome de burnout, também conhecida como síndrome do esgotamento profissional, caracteriza-se por uma combinação sintomática de exaustão emocional, estresse crônico e perda de sentimento de realização”, esclarece a consultora.

O tratamento psicoterápico associado, quando necessário, ao medicamentoso é a melhor estratégia para enfrentar a situação. “Além disso, recomenda-se uma mudança no estilo de vida, com mais atenção aos cuidados pessoais, e uma melhor distribuição do tempo com atividades de relaxamento e entretenimento”, explica Sylvia.

Rotina nota dez
Dicas práticas da consultora norte-americana, Jill Geisler, para administrar seu dia a dia:

1 – Inclua a família na organização da agenda. Do mesmo jeito que seu chefe e seus colegas, eles não querem ser surpreendidos por uma ausência inesperada ou mudanças de planos. Compartilhe calendários online e converse com eles antes de assumir compromissos que terão impacto na vida de todos.

2 – A não ser que seja absolutamente importante, deixe o celular de lado durante as refeições. Direcione sua atenção para a pessoa com quem divide a mesa, em vez de obrigá-la a competir por seu contato visual.

3 – Não envie e-mails profissionais durante a noite, mesmo que tenha tido uma ideia genial. Ou, se
o fizer, deixe claro que não necessita de uma resposta urgente às 3 horas da manhã.

4 – Descanse. Pesquisas comprovam que relaxar é importante para estimular a criatividade e encontrar soluções. Dê uma caminhada no meio do expediente e, durante a noite, durma o suficiente.

5 – Não se deixe definir por seu trabalho. Sua imagem pessoal não pode ser construída apenas com base no seu emprego ou hábitos profissionais. Você não se torna indispensável porque é o primeiro a chegar e o último a sair, mas pode ficar exausto e desmotivado por isso.

6 – Não deixe passar um único dia sem fazer algo que alimente seu coração e mente. Isso pode significar ajudar um colega com um desafio, correr depois do expediente, ler para uma criança, compartilhar uma refeição com os amigos…

Texto: Melissa Medroni

(Texto publicado originalmente na Revista Delboni Auriemo. Você pode fazer o download para iPad neste link (http://bit.ly/XIXQER) ou retirar sua versão impressa em qualquer Unidade de Atendimento do Delboni (http://bit.ly/XIXNc2).)

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