Medicina nuclear: diagnósticos mais precisos e tratamentos mais eficientes

Saiba como a tecnologia tem revolucionado e facilitado o tratamento de tumores

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Observar tecidos, órgãos e moléculas sem precisar tocar em um bisturi já foi o sonho de muitos médicos. Hoje, graças aos investimentos em tecnologia de ponta, isso é possível. A chamada medicina nuclear leva para os laboratórios a possibilidade de fazer essa checagem de forma não invasiva, por meio da marcação de moléculas com elementos que permitem a sua visualização no interior do corpo humano, utilizando equipamentos especiais.

Para o tratamento de um câncer, por exemplo, essa é a ferramenta principal. O controle da doença, e até sua cura, dependem da escolha do melhor tratamento, uma tarefa nem um pouco simples para o médico. Ele deve conhecer bem o tumor que irá assistir, identificar sua localização precisa, nível de agressividade e extensão. Para isso, o exame de tomografia de emissão de pósitrons (PET) acoplada à tomografia computadorizada (CT) é uma das melhores opções.

O exame combina as técnicas mais modernas de diagnóstico por imagem, que revelam, ao mesmo tempo, metabolismo e anatomia da doença. A precisão e a clareza de dados são tão elevadas que os médicos conseguem refinar ou mudar sua estratégia terapêutica em 20 a 40% dos casos, dependendo do tipo de câncer examinado. As alternativas de tratamento existentes são cirurgia, quimio e radioterapia, ou uma combinação entre elas.

O funcionamento da técnica baseada nos princípios da medicina nuclear parece simples à primeira vista: o paciente recebe uma injeção de glicose marcada com um elemento que permite a sua visualização no interior do corpo do paciente. O grau de absorção desse combinado reflete o grau de atividade do tumor. “O tumor cresce de forma desordenada, necessitando de mais substratos energéticos para suportar esse crescimento. A glicose é um desses ‘combustíveis’ essenciais para o crescimento do tumor e, por isso, ele consome glicose mais rapidamente e em maior quantidade do que as demais células do nosso organismo”, explica Dr. Carlos Alberto Buchpiguel, nosso especialista em medicina nuclear e imagem molecular.

Com essa relação, a PET pode revelar novos focos de tumores, permite estimar o nível de agressividade da doença e, por vezes, diferenciar tumores benignos e malignos. Contudo, para se identificar de forma precisa o tecido afetado, o equipamento é acoplado a uma CT, que revela a anatomia dos órgãos e tecidos do paciente.

Depois do tratamento, a PET-CT ainda registra o grau de atividade das massas residuais e determina se estão ativas ou não, indicando continuidade do tratamento ou novas abordagens. Além de ser indispensável para um tratamento de sucesso no combate ao câncer, o exame tem outra aplicação muito importante: a confirmação de quadros demenciais, como o Mal de Alzheimer. Ele pode acabar com as dúvidas quando o diagnóstico clínico é contraditório ou indeterminado.

Como Funciona

O paciente recebe uma injeção de glicose especial em uma veia periférica. Em uma hora, o material reage no organismo e permite a obtenção de imagens do exame, que dura entre 15 e 30 minutos. Diabéticos podem também se submeter a esse tipo de exame, desde que estejam com sua doença compensada e com níveis de glicemia em jejum inferior a 180mg/dL.

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