(Nem só) Para os fortes

Suaves ou ardidas? Seja qual for o tipo de pimenta que você prefere, o fato é que um dos temperos mais usados na culinária do mundo todo causa tudo, menos indiferença

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Pungência não é gosto. Nem aroma. Está mais para uma sensação de irritação que passa perto da dor. Quem come pimenta, então, quer, no fundo, sentir dor? Não exatamente. O que procuramos nas comidas apimentadas é, na verdade, o prazer que elas causam no corpo – ainda que inconscientemente.

Ao sentir dor, o corpo libera substâncias analgésicas que dão uma sensação de conforto pós-queimação. E há também o fato de que a capsaicina, composto químico presente nas pimentas do gênero Capsicum, e responsável pela pungência, provoca uma inflamação na boca, tornando-a mais sensível. Isso sem falar nas ondas de calor e suor. “O equivalente a andar de montanha-russa ou mergulhar em um lago no inverno: um exemplo de ‘risco sob controle’ que desencadeia incômodos sinais de alerta pelo corpo”, como define o cientista Harold McGee no livro Comida & Cozinha.

As pimentas sempre foram consumidas, desde os mais remotos tempos, também por suas características medicinais – têm poder antioxidante e anti-inflamatório, ajudam a dissolver coágulos sanguíneos e são ricas em vitaminas (têm seis vezes mais vitamina C do que a laranja).

Nativas da América, acredita-se que as pimentas do gênero Capsicum já eram consumidas no México há 7 mil anos. Para medir a ardência de cada uma delas, o químico americano Wilbur Scoville criou, em 1912, uma escala em que cada unidade corresponde ao número de vezes em que um extrato de pimenta pode ser diluído numa solução de água e açúcar até que seu princípio ativo não seja notado.

Para que ninguém coma a pimenta “errada”, o melhor é conhecer o poder de fogo de cada uma. Mas se, ainda assim, você morder a pimenta errada para o seu nível de tolerância, o melhor é ter por perto um pedaço de pão ou um copo de leite. Água? Jamais. Só vai fazer a queimação se espalhar pela boca.

Por Isabela Miranda. Fotos de Rogério Voltan.

(Texto publicado originalmente na Revista Delboni Auriemo. Você pode fazer o download para iPad neste link (http://bit.ly/XIXQER) ou retirar sua versão impressa em qualquer Unidade de Atendimento do Delboni (http://bit.ly/XIXNc2).)

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