Vivendo com o inimigo

Dr. Odilon Denardin fala sobre as doenças cardíacas e a importância de exercícios

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Não, o colesterol alto não é o único vilão das doenças cardíacas. Ele divide com outros fatores o risco de causar mal ao coração. A diferença é que, normalmente, sua elevação não provoca sintomas, e a alteração é detectada apenas em exames de sangue.

O ideal é que o controle comece a partir dos 20 anos, repetindo o exame a cada cinco anos, se os resultados forem normais. Quem tem histórico familiar do problema, sobretudo pai ou mãe afetados, deve verificar seus níveis mais precocemente.

A população adulta já tem uma conscientização dos males do colesterol e, em alguns países desenvolvidos, observa-se uma redução consistente em seus níveis entre a população com mais de 40 anos. Entretanto, a obesidade e o sedentarismo infantil e na adolescência têm contribuído para a, cada vez mais alarmante, alteração de seus índices nessa faixa de idade. Esses eventos contribuem para mudanças nas recomendações da dosagem de gorduras nessa faixa etária. Atualmente algumas sociedades internacionais, como a Academia Americana de Pediatria, recomendam a realização de dosagem de colesterol para crianças entre nove e 11 anos e repetição entre 17 e 21 anos.

Durante muitos anos a medida das frações do colesterol foi feita de forma indireta, por meio de um cálculo. A partir das dosagens total e dos triglicérides aplicava-se uma fórmula para obtenção dos valores de HDL-colesterol e LDL-colesterol. Como os triglicérides apresentam uma variação significativa com a alimentação, era indispensável a padronização de um período de jejum para avaliação dessa gordura e das frações do colesterol. Atualmente, métodos de dosagem direta do HDL- -colesterol e LDL-colesterol permitem que sua dosagem e de suas frações sejam realizadas sem jejum.

No controle do colesterol elevado, a mudança de estilo de vida é uma recomendação importante e deve ser estimulada de forma consistente. O incentivo ao exercício físico controlado e continuado e o emprego de um plano alimentar são exemplos de mudanças desejáveis. Entretanto, dieta e atividades físicas nem sempre são suficientes para a adequação do nível de colesterol às metas desejadas na prevenção da aterosclerose. A utilização de medicações eficazes na redução do problema, as estatinas, contribui de forma significativa no controle dessa situação.

Mesmo não sendo mais o vilão aterrador de outrora, o colesterol alto ainda é um fator de risco importante. Portanto não se descuide. Procure regularmente um médico. Mantenha a pressão arterial e a ingestão de sódio em níveis adequados, evite o sedentarismo, o estresse, diabetes tipo 2 e o excesso de peso. Não fume. E aprenda a conviver com o inimigo, realizando exames periodicamente e, quando indicado, controle seu nível.

DR. Odilon Denardin é médico endocrinologista do Delboni. Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Doutorado em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo.

(Texto publicado originalmente na Revista Delboni Auriemo. Você pode fazer o download para iPad neste link (http://bit.ly/XIXQER) ou retirar sua versão impressa em qualquer Unidade de Atendimento do Delboni (http://bit.ly/XIXNc2).)

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